quarta-feira, maio 09, 2012

6 - O comércio do vinho

6 - O comércio do vinho

Em 1500 a.C. já os fenícios percorriam o Mediterrâneo transportando nas suas naves o vinho produzido na Grécia, em Itália, em Espanha. Depois dos fenícios, os gregos, que descobriram a Península Itálica por volta do século VIII a.C. e nela estabeleceram as suas próprias colónias, prósperos empórios comerciais, a Grande Grécia, cujo protagonista era o comércio do vinho. Na colónia de Síbaris, por exemplo, parece que já nessa época existiam "enodutos", condutas de argila para transportar o vinho das adegas ao porto, de onde era expedido para os países que dele necessitavam. O comerciante Geliaso Tellias dispunha de uma adega com 300 tonéis de 100 ânforas e uma outra de 1000 ânforas, mais de 400hl. O vinho era, portanto, exportado e importado desde a Idade do Ferro, principalmente em troca de bens de primeira necessidade, e constituia uma actividade económica importante para muitas cidades do Mediterrâneo. É significativo o facto de, desde o início, e durante milénios de comércio de vinho ter estado o viticultor-vinificador praticamente dele ausente, sendo este preponderante o papel do mercador, cidadão empreendedor, eventualmente dotado de uma organização técnica, comercial e financeira específica. É necessário esperar pela Idade Moderna, talvez pelo século XVII, para encontrar os primeiros sinais consistentes de uma organização comercial de viticultores-vinificadores, geralmente sob a égide de grandes propriedades pertencentes a nobres ou ainstituições religiosas. è só no final do século XIX que se verifica a presença directa, nos grandes mercados vinícolas de um novo tipo de operador agrícola, ou seja a empresa colectiva de viticultores-vinificadores: a adega cooperativa.